17 de julho de 2026
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Justiça manda soltar servidor preso por esquema de R$ 27 milhões

O servidor público Geancarlo Leal de Freitas, preso durante a Operação Gutemberg, no dia 7 de julho, foi solto pela Justiça após ser comprovado que ele não tinha participação nos fatos, conforme alega a defesa. A ação investigava o desvio de R$ 27 milhões em recursos públicos, através de contratos com prefeituras para compra de livros.

o advogado de Geancarlo afirmou que os fatos foram esclarecidos com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), comprovando que ele não teve participação em nenhum crime investigado. 

Por isso, o Ministério Público pediu à Justiça do Estado a revogação da prisão do servidor. 

“Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados (MS). O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares, não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado. Não conhece nenhum dos investigados e nem as empresas investigadas”, disse a defesa por meio de nota. 

Além de Geancarlo, Joatan Gomes Peixoto também teve a prisão revogada, nesta quinta-feira (16). Porém, continuará sendo monitorado por tornozeleira eletrônica por no mínimo 180 dias. Ele cumprirá prisão domiciliar, enquanto o caso é analisado pela Justiça.

O advogado André Stuart, que atua na defesa de Joatan, afirmou que a decisão levou em consideração a necessidade de cuidados exigida pela família do investigado.

“Ele já é um senhor de certa idade e tem uma filha de 21 anos com síndrome de Down, que não faz absolutamente nada sem a ajuda do pai e da mãe. Além disso, a mãe é uma senhora que passou por cirurgia de safena, com três pontes de safena. Tudo isso está bem documentado. Foi uma questão humanitária. Nós pedimos a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar humanitária”. 

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Joatan era um dos responsáveis pela Editora Avante, empresa por meio da qual o grupo investigado pela força-tarefa teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos firmando contratos com prefeituras para a compra de livros.

A Operação Gutenberg prendeu 15 pessoas. Até o momento, apenas Geancarlo, Joatan e Jessyca Duarte Burgatt conseguiram a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar. Um dos apontados como líderes da suposta organização criminosa, Heyder Bartz, é o único foragido.

A ligação com a família Jafar

Por trás da Editora Avante, conforme o Gaeco, estava a família Jafar. A empresária e cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar chefiava a organização investigada. Também são apontados como integrantes do grupo os filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, além da ex-nora Rhayane Souza Fanaia.

Contudo, para esconder o envolvimento com o esquema, a família registrou a Editora Avante em nome de comparsas e Joatan seria um deles. Rhayane aparecia como proprietária formal da editora.

Mas depois, a titularidade teria sido transferida para outras pessoas, entre elas Joatan Gomes Peixoto e Valesca Thais Albuquerque Teixeira, segundo a investigação.

Investigação

Segundo o Gaeco, a Editora Avante teria atuado tanto no recebimento dos recursos públicos quanto no direcionamento de contratações por meio de justificativas consideradas fraudulentas para dispensar licitações.

Os milhões obtidos de forma ilícita, conforme a investigação, eram distribuídos entre integrantes da organização criminosa, servidores públicos envolvidos e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos valores.

As investigações também apontam que servidores da área da saúde teriam condicionado a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados pelo grupo. Neste aspecto, o principal personagem era o então coordenador de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS), Ed Carlo Britto Burgatt.

Ele usava a função para favorecer municípios que contratassem a editora e pressionar gestores que resistissem às negociações. Ed Carlo foi exonerado um dia após a operação ser deflagrada.

A operação foi deflagrada em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO), com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Conforme o MPMS, a escolha faz alusão ao uso dos livros como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado.

Confira os alvos da operação.

  • Rossana Paroschi Jafar, empresária; (presa)
  • Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana; (presa)
  • Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana; (preso)
  • Giovanni Paroschi Jafar, está foragido, segundo o MPMS; (preso)
  • Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana; (presa)
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar; (preso)
  • Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS; (preso)
  • Francisco Anizio dos Santos; (preso)
  • Matheus Oliveira Peixoto; (preso)
  • Paulo Rogério de Melo, empresário; (preso)
  • Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo; (preso)
  • Geancarlo Leal de Freitas; (preso, mas solto no dia 17 de julho)
  • Gabriel Taquino de Paula; (preso)
  • Heyder Bartz, está foragido, segundo o MPMS. (foragido)
  • Joatan Gomes Peixoto; (prisão domiciliar)
  • Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo; (prisão domiciliar)

Fonte: Portal Primeira Página

Foto: Gaeco

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