
O relatório preliminar de 177 páginas dos primeiros 90 dias de intervenção no Consórcio Guaicurus, reforça preocupações já levantadas pelo vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara e da CPI do Transporte Coletivo, realizada em 2025.
Entre os principais pontos estão o elevado endividamento do consórcio e o comprometimento de mais de 95% das linhas de crédito. Segundo o interventor, as dívidas estão sendo renegociadas, enquanto a prioridade tem sido garantir o pagamento dos funcionários, o 13º dos motoristas e cobradores e os insumos necessários para manter o serviço, como diesel e manutenção.
Para Dr. Lívio, a situação financeira exige atenção, mas a qualidade do serviço prestado à população também precisa ser tratada como prioridade.
“Precisamos ir além da garantia de que o transporte não vai parar. O relatório mostra problemas financeiros, operacionais e estruturais que precisam ser enfrentados”, afirmou.
Frota precisa ser renovada
Um dos principais pontos de preocupação é o envelhecimento da frota. Segundo o relatório, os ônibus têm hoje idade média próxima de 10 anos. Na conclusão da CPI, em 2025, a média já era de aproximadamente oito anos, enquanto o contrato estabelece cinco anos.
“Temos hoje mais de 240 ônibus que precisam ser renovados. Vamos exigir uma renovação imediata da frota, com ônibus novos e todos com ar-condicionado”, destacou o vereador.
Dr. Lívio também defende a reestruturação do contrato de concessão e a criação de um plano de mobilidade urbana que contemple a revitalização dos terminais e dos pontos de ônibus, com cobertura e bancos.
“Não podemos continuar oferecendo ao usuário um poste fincado na terra como ponto de ônibus. Precisamos melhorar a experiência de quem utiliza o transporte coletivo para recuperar a confiança da população”, ressaltou.
Queda de passageiros e segurança
Outro dado apontado no relatório é a redução de quase 10% no número de passageiros entre 2023 e 2025. Para o vereador, a perda de usuários está relacionada à necessidade de melhorar a qualidade, o conforto e a segurança do sistema.
O relatório também identificou ônibus com seguro obrigatório vencido, situação considerada grave pelo parlamentar.
“Um veículo que transporta diariamente milhares de pessoas precisa estar regularizado e em condições adequadas de circulação. Isso coloca diretamente em questão a segurança do usuário e precisa ser corrigido”, afirmou.
Venda do consórcio
Sobre o processo de venda do Consórcio Guaicurus, Dr. Lívio explicou que a operação está sendo acompanhada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisa documentalmente a negociação e eventual concentração de mercado.
Segundo o vereador, a Prefeitura deverá apresentar um plano de ação para a nova concessionária, estabelecendo as exigências necessárias para a melhoria do transporte.
“A intervenção precisa deixar como resultado um novo modelo para o transporte coletivo, com planejamento, transparência, fiscalização e compromisso com o usuário. Gostaríamos que esse processo fosse concluído até o final de dezembro, para que Campo Grande possa começar o novo ano com um novo plano para o transporte coletivo”, concluiu Dr. Lívio.
Texto e foto: Assessoria Parlamentar do Vereador Dr. Lívio
