
Depois de uma década com as obras paralisadas, a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, já começa a movimentar a economia local. A expectativa é que o empreendimento gere cerca de 8 mil empregos durante a fase de construção, beneficiando não apenas moradores da cidade, mas também trabalhadores de toda a região.
Enquanto a produção de fertilizantes deve fortalecer o agronegócio brasileiro no longo prazo, o impacto mais imediato já é sentido pelos setores de comércio e serviços, que projetam aumento na demanda nos próximos meses.
Há apenas oito meses, a empresária Priscila Spigotti decidiu investir em um restaurante. Além do capital, ela apostou na força de vontade e na expectativa de crescimento da cidade. Agora, com o retorno das obras da fábrica, ela acredita que o movimento deve aumentar significativamente.
“Hoje a gente tem uma média de 100 a 110 refeições por dia, entre marmitas para retirada, entrega e atendimento no restaurante. Mas com a volta da fábrica, com mais pessoas vindo de fora e o próprio pessoal de Três Lagoas tendo trabalho, a nossa meta é chegar a pelo menos 150 refeições diárias”, afirma.
A expectativa positiva também se espalha pela rede hoteleira. O empresário Leonardo Konno acredita que, no período de maior movimentação das obras, todos os 60 quartos do hotel deverão permanecer ocupados.
“Quando acontecem grandes obras e existe um movimento constante de pessoas, para nós é uma situação perfeita. Conseguimos manter uma taxa de ocupação alta e uma rentabilidade maior. E isso é muito bom para o comércio em geral”, destaca.
As obras da UFN3 devem durar aproximadamente três anos, com previsão de início das operações em 2029. Até lá, o cronograma exigirá milhares de trabalhadores em diferentes etapas da construção.
Empregos aquecidos
Na Casa do Trabalhador de Três Lagoas, a movimentação já começou. Segundo o gestor Sidney de Abreu, empresas responsáveis pelas obras iniciaram o processo de contratação.
“Já temos uma empresa iniciando as contratações. Agora estamos aguardando as demais empresas, que também vão começar a procurar mão de obra para efetivar seus serviços no canteiro de obras.”
Além da geração de empregos e da movimentação econômica, a retomada da fábrica representa um passo estratégico para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Retomada da fábrica UFN3
A unidade terá capacidade para produzir cerca de 2.200 toneladas de amônia e 3.600 toneladas de ureia por dia, sendo a ureia o fertilizante nitrogenado mais consumido no país. Sozinha, a UFN3 deverá atender aproximadamente 15% da demanda nacional desse produto.
Somando a produção da fábrica de Três Lagoas às unidades da Petrobras no Paraná, Bahia e Sergipe, a expectativa do Governo de Mato Grosso do Sul é reduzir em cerca de 30% a dependência brasileira dos fertilizantes nitrogenados importados. Atualmente, mais de 90% desse tipo de insumo utilizado no país vem do exterior, principalmente da Rússia e de Omã.
A obra foi interrompida em 2015 quando já estava com 82% da estrutura concluída. A retomada só foi possível após a Petrobras incluir o empreendimento em seu novo plano de investimentos, com aporte superior a R$ 5 bilhões. Os contratos com as empresas vencedoras das licitações já foram assinados, marcando oficialmente o reinício do projeto.
Lula estima que alimentos devem ficar mais baratos
A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, foi anunciada nesta quinta-feira (25). Paralisada há mais de uma década, a fábrica receberá investimento de R$ 5 bilhões da Petrobras para a conclusão das obras.
Durante o evento, foram assinados os contratos com as empresas vencedoras das licitações. A expectativa é que a retomada dos trabalhos aconteça ainda neste mês, gerando cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da retomada de uma obra que permaneceu parada por 12 anos e afirmou que a produção nacional de fertilizantes ajudará a reduzir custos no campo e, consequentemente, contribuir para o barateamento dos alimentos.
Lula criticou o fechamento de fábricas de fertilizantes no Paraná, Bahia e Sergipe e destacou que o Brasil ainda depende da importação do produto.
“O país é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica como essa parada? Não é só pelos empregos que iria gerar, mas pela perspectiva de futuro”, afirmou.
O presidente também destacou a decisão da Petrobras de assumir a retomada da unidade e defendeu a ampliação da produção nacional.
“Um país jamais será soberano se não for dono do que produz”, declarou.
Fonte: Portal Primeira Página
Foto: Dyego Queiróz
