
A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) lançou nesta quarta-feira de cinzas (18), a Campanha da Fraternidade 2026. O tema escolhido para esse ano é “Fraternidade e Moradia” com o lema “Ele veio morar entre nós”.
O documento publicado pela CNBB destaca a falta de um teto digno, que além de uma carência material, também é uma “expressão concreta da exclusão social”.
Para a campanha, a falta de moradia digna reflete a diferença social de pontos de vista diferentes, tanto para os que não tem uma casa e recorrem a locais improvisados, quanto para os que estão em situação de rua.
Segundo a confederação, cerca de 6 milhões de famílias necessitam de moradia no país, 26 milhões de pessoas estão vivendo em situação inadequada e mais de 300 mil estão morando nas ruas.

Em Mato Grosso do Sul, a quantidade de moradores em situação de rua cresceu de 1.497 para 2.915 entre 2020 e 2025.
Campo Grande teve aumento de 166% em cinco anos, saltando de 655 para 1.742, ocupando a 19ª posição no ranking nacional das capitais. Os dados são de levantamento da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O intuito da campanha é trazer um olhar solidário para essas pessoas e mobilizar comunidades, igrejas e o poder público para enfrentar a realidade da falta de moradia.
O arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que muitas ações já vêm sendo realizadas, ainda que de forma simples, por paróquias e instituições ligadas à Igreja.
“Muita coisa vem sendo feita, ainda bastante amadora, por paróquias que servem quentinhas para os moradores de rua, mas nós temos algumas coisas mais profissionais, como é o caso do Lar São Francisco e do Lar Santa Clara, que acolhem homens e mulheres em situação de rua num processo que leva a uma verdadeira reinserção dessas pessoas na vida social”, destacou.

Segundo ele, ainda há muito a ser feito, inclusive por meio de parcerias com o poder público. “Se Deus quiser, em breve vamos tentar promover uma audiência pública para mergulharmos mais diretamente nesse assunto”, afirmou.
Dom Dimas também ressaltou que a solidariedade começa no cotidiano. Ele citou o exemplo de vizinhos que se organizam para ajudar famílias em situação precária, contribuindo com cuidados, alimentos e apoio financeiro. “A solidariedade passa por cada comunidade”, disse.
Sobre a responsabilidade do Estado, o arcebispo afirmou que existem ações em andamento, mas que os desafios permanecem. Ele também citou a importância do acesso ao CEP para moradores de áreas irregulares, condição que muitas vezes impede até mesmo o atendimento em serviços básicos de saúde.
Campanha da Fraternidade
A Campanha da Fraternidade é realizada anualmente durante a Quaresma e propõe reflexão e ação concreta sobre temas sociais à luz da fé cristã. A iniciativa nasceu como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana.
Fonte: Portal Primeira Página
Foto: CNBB
